segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Sobras de mim....


Se uma palavra dissesse
O que o silêncio cala
Se um abraço falasse por mim
Quisera eu ser alguém para ti
Quisera que o mundo fosse teu

Se o medo fosse miragem
Talvez eu embarcasse
Talvez fizesse a viagem….
E atravessasse esse teu rio
Mas o meu desejo é naufragar,
Feliz
Chegar à outra margem,
Vencer
Do teu lado
Sentir calor e frio
Chorar, sorrir, sofrer

Mas se a teu lado fosse apenas sombra
Eu não te queria
Se a teu lado fosse um fardo
Eu não ficava

Se a minha alma pudesse
Apagar de mim as sobras
Se pudesse varrer a dor
Quisera eu ser ave e voar
Fugir para longe
E apenas voltar
se me quisesses
….e poder dizer-te o que não digo,
pedir-te o que não peço

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Por agora.....


És tu….
Não sei se sabes porque nunca te disse
É o silêncio mudo
É o meu medo a minha meninice
É aquilo que escondo atrás do escudo

És tu…..
Do teu lado encontro paz
Do teu lado posso ser eu
Dou um passo em frente
E dois para trás
Em segredo chamo-te meu

És tu…..
Sou eu….
Não te quero aprisionar
Não te desejo perder
Não me posso revelar
Nem me pretendo esconder
És tu….
Sou eu enquanto me quiseres
Pelo tempo que desejares
Enquanto for tempo de paz…..

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Às vezes....


Às vezes choro no escuro sem razão,
outras sorriu pelo mesmo motivo.
Às vezes as lágrimas levam a mágoa,
outras leva-as um sorriso

Às vezes insurjo-me violentamente,
contra o que não quero sentir.
Outras resigno-me impotente,
perante o que está para vir

Às vezes falo a medo,
ouso partilhar, dizer…
Outras calo em segredo
e acabo por perder

Às vezes os dias são curtos
outras longos demais
às vezes são vulgares
Mas nunca são banais

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Não!!

Não sou eu…..
Não me reconheço
Não sei quem sou
O que sinto muda
Transforma, altera
Não quero sentir
Estou em guerra

Quero parar
Quero esquecer
Apagar

Quero não ser
Quero não viver
Quero morrer
Quero renascer

Não sou eu
Não me conheço
Não sei se é o fim
Se um novo começo

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Loucura Controlada


Do que sinto quero fazer um império
O mais rico, o mais pobre, o mais ousado
Onde todos se confundem no sentir.
Nessa aparência ser imperador aclamado

Um império suspenso num sonho
Qual jardins da babilónia
Atlântida que nunca existiu….
Utopia
Fantasia filha da demência….a minha
que me eleva cada dia mais alto
num paralelismo irreal, infundado.
Fugi para me proteger
E tenho hoje um sonho encurralado

Nem sei se a minha vida é real
Ou se idealizo o que vivo…
Neste meu império caduco
cheio de um sentir decadente,
que me eleva para lá da loucura
Sou um alegre ser demente
E vivo a vida alienada
Nesta minha loucura controlada

A minha dor é devaneio
A minha tristeza, contradição
A minha mágoa aproveito
para aniquilar a ilusão

Nada tenho do que queria
Não sou nada do que sou
Vivo a triste ironia
do que a minha vida se tornou

E hoje que sou imperador
Génio, louco, alquimista, sonhador
Quero recuperar o sonho abandonado
E correr atrás….,
conquistar o que sonhei.

Que seja insanidade,
só assim saberei….,
se é loucura querer amar
como eu já, um dia, amei….

...


Imbuir de alegria teu sorriso
Afogar-te em meu abraço
Nele tenho tudo o que preciso
Em ti repouso o meu cansaço

Poder poupar-te de todas as dores
Matar as tristezas mais profundas
Dizer-te que todos esses temores
Só servem para que te confundas

Dizer-te devagar e em surdina
Como se fosse um segredo
Que queria poder ser eu,
A apagar a tristeza e o medo

Quero que aceites as tuas falhas,
ele há dias assim
Vais ter muitas batalhas
Mas um dia mau não é o fim.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Valsa de um Homem carente

Valsa dum Homem Carente
(Carlos Tê / Jorge Palma)

Se alguma vez te parecer
ouvir coisas sem sentido
não ligues, sou eu a dizer
que quero ficar contigo
e apenas obedeço
com as artes que conheço
ao princípio activo
que rege desde o começo
e mantém o mundo vivo

Se alguma vez me vires fazer
figuras teatrais
dignas dum palhaço pobre
sou eu a dançar a mais nobre
das danças nupciais
vê minhas plumas cardeais
em todo o seu esplendor
sou eu, sou eu, nem mais
a suplicar o teu amor

É a dança mais pungente
mão atrás outra à frente
valsa de um homem carente
mão atrás e outra à frente
valsa de um homem carente


quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Balada


Fosse a morte….
não iria eu mais viver
Fosse ele o dia…
escurecer não mais queria

Fosse a noite…
não haveria amanhecer

Fosse então mar
e eu ar p’ra sobrepor,
esvoaçante

Fosse ausência de cantar
e o meu torpor
fosse um uivo lancinante

Fosse tanto um quase nada
que é tão tudo
ou fosse um fim.

Começava a acabar
sem mais de mim.
Calaria a vida inteira
e quase mudo
catá-lo-ia em Balada

Momento


Sim,
sei bem,
que nunca serei alguém.
Sei de sobra
que não terei uma obra

Sei enfim….
que nunca saberei de mim

Mas agora,
enquanto dura esta hora,
esta paz em que tu e eu estamos,
deixa-me querer
o que nunca poderei ser!

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Se tu pudesses.....


Se tu pudesses
Escutar a musicalidade
Dos teus próprios ombros nus…
Sentir como refulgem
Emoldurando o sorriso atraquinado
E o teu aroma….

Se pudesses,
Sentir-te a pele
Escorregando entre os meus lábios
e encher-me a alma
pelas palmas das minhas mãos….

Se tu pudesses,
Ver a tua própria mão,
Suspender o gesto de me tocar
e exprimir o rouquejar
de um momento que não acaba
na tua cama….

Se tu pudesses
saborear o teu sono no meus braços,
acordar-te o existir como quem brinca,
Votar-te um momento e outro
….só por gostar….
Talvez soubesses
que a cama doce e vazia
por tu não estares,
é por hoje,
para sempre,
O meu mais bonito mar!