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sexta-feira, 8 de maio de 2009

O doce amargo desta noite


No doce negro desta noite
O manto triste que me cobre
Na ânsia de mais uma madrugada
Que te leve ou que te traga
As estrelas conhecem o nosso segredo
Sabem de cor cada pecado
Cada beijo que te roubei,
cada abraço.
Só elas sabem o quanto te amei

Vem … volta por aquela estrada
Vem dizer-me o que anseio ouvir
vem de madrugada,
e traz-me a esperança que roubaste,
devolve-me a parte de mim que levaste.

Só a noite sabe o que sofro
De dia finjo apenas existir
É apenas um dia atrás do outro
Sem ti…

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Consegues ouvir?...


Consegues ouvir…
O marulhar das ondas do mar,
a rebentar contra a encosta?
Consegues ouvir …
o mar que se enrola sobre si mesmo,
quando se exalta numa ira violenta e louca.

Lembras-te…
quando a praia foi nosso leito,
testemunha do nosso desejo.
Quando o mar abafava,
com o seu marulhar,
nossos urros de prazer.

Quantas vezes naufraguei
nos teus braços?
Quantas vezes me perdi,
sucumbindo ao desejo
que me devorava?

Diz-me…consegues ouvir?
O mar que nos levou naquela noite
e que nunca nos trouxe…

domingo, 22 de março de 2009

Não saberia eu...


Apetecia-me vaguear pela noite.
Mergulhar na sua negritude
e perder-me nos olhos dos outros,
de desconhecidos que não soubessem de mim
o que tu sabes.

Há dias que acordar parece a mais árdua tarefa,
outros em que adormecer é um tormento.
Hoje o sono não chega,
rodopiam na minha cabeça em turbilhão
memórias de ti,
como demónios que me atormentam.

Não sabia que o silêncio podia ser
tão enormemente devastador.
O teu silêncio é como um grito que ecoa no meu peito,
dilacera a minha alma numa dor inimaginável.
Já as tuas palavras há muito me encantaram,
como um feitiço lançado pelos Deuses.
Hoje é a mudez que abrevia a esperança
e me mata lentamente de saudade.

Não saberia eu já
que me enlouquece não saber de ti.
Não saberia eu já
que os teus silêncios se prolongam
por tempos infinitos…
Que me roubas o sono e a paz
com a tua existência
Que me roubas a vida
com a distância.
Onde foi que me iludi?
Que luz é esta,
que ofusca o pensamento e a razão?
Que insano amor o meu!
Não saberia eu já,
sobreviver à madrugada,
quando o tempo urge, escasseia e finda?

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Como seria?


És vida…
Quando a morte se aproxima
Quando adivinho no teu olhar
palavras que não dizes
Ainda hoje és tudo,
quando o silencio nos cala
no nosso diálogo mudo


És vida….
Quando estou no fim da linha
Quando penso que te esqueci
e estás mais presente que ontem
Ainda hoje és único
Quando o silêncio nos separa
e a distância te aproxima

És vida….
Quando me amas assim,
sem nunca o dizeres
Quando a vulgaridade do amor
nunca é vulgar em nós
E mesmo assim,
dou por mim a perguntar:
Como seria?.....

domingo, 2 de dezembro de 2007

Um anjo

Se fosse um anjo de asas brancas
Se pudesse voar para além da imaginação
Se fosse um anjo de morte e pranto
de alegria, riso e canção
Se pudesse esquecer as palavras
apagar os actos
Se eu fosse um anjo salvador
Mas sou apenas humano
O mais mortal dos mortais
O mais frágil e inseguro
O mais reles dos animais

Se eu fosse um anjo protector
Se morrer pudesse sem findar
Poder ser eu e não chorar
As mágoas que futuro
Ainda não deu….

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Não perguntes....



Como queres que te diga o que sinto,
se nem eu sei o que isto é….
Como é que me pedes para explicar
o que eu não consigo entender.
Como queres que eu escolha
se não sei o que escolher.
Não me faças perguntas
às quais não posso,
ou não quero responder.

Como queres que te explique
o que eu nem sei se existe?
O que desconheço eu nunca vi
O que conheço nem eu sei
Como queres que eu te diga
Se eu nisso ainda nem pensei

Como queres que eu saiba
o que poderá ser?
Se eu nem sei o que é,
nem o que está a acontecer.
Não me peças respostas,
que eu não tenho para te dar.
Não queiras que o que começou
termine antes de acabar

segunda-feira, 9 de julho de 2007

No mesmo Lugar


Sentada aqui no mesmo lugar
Onde a vida não passa, onde a vejo passar
Repouso de uma viagem que não terminei
Com medo de chegar onde nunca cheguei

Sentada aqui onde sempre estou
Onde acaba um tempo que nunca chegou
O ócio dos dias que vão e que vêm
Os medos, os meus, os que todos têm

Sentada aqui onde me deixo ficar
À espera de um tempo que tarda em chegar
Nesta quietude onde nada acontece
Onde se lembra o que nunca se esquece

Vou continuar a minha caminhada
Reconstruir esta vida inacabada
Vou chegar onde sonhei ir
Quero SER e não existir
Porque senta aqui neste mesmo lugar
Nunca saberei onde poderia chegar

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Dentro de mim


Dentro de mim….
Existe o bem e o mal
Existe um lado cruel
Um lado dócil….

Dentro de mim
Em conflito permanente
Existem duas de mim
Uma diz que não
A outra grita sim

Dentro de mim
Existem perguntas sem resposta
E respostas sem pergunta

Dentro de mim
Num turbilhão inimaginável
Existe uma guerra permanente
Entre o querer e a vontade
Entre o coração e a mente

E qual de mim irá ganhar,
Esta minha guerra interior?
Aquilo que eu alimentar
Sairá no fim vencedor

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Hoje para ti "transparente"....


Baixaste a guarda por um instante
E deixas-te que te vissem
O perto deixou de ser distante
Sem que para tal insistissem

Despiram-te hoje és transparente
O espelho reconheceu-te
Alguém em quem te revias
Hoje tornas-te para ele mais evidente

Usas-te e abusas-te de quem em tua vida entrou
Hoje tu reconheces que isso em nada te ajudou
Bebeste do que te deram
Sem nunca retribuir
E hoje limitas-te a existir

Foste quem tu não eras para te protegeres
Hoje és quem não queres continuas a te esconderes.

Hoje a minha transparência foi contra minha vontade
Mas sinto-me renascida e sem nenhuma saudade
Sem perder nada ganhei, mais do que podia imaginar
Partilhando um pouco de mim acabei por me libertar

(Maio2007)

domingo, 20 de maio de 2007

Haverá dor maior....?


Um mergulhar subtil, sereno
Uma partilha inevitável de viver
Um espelho onde me vejo reflectir
Como se me visse a mim noutro ser

É quase o eu que escondo sem querer
É mais que tudo menos que nada
Talvez o medo de viver
Me leva a ser tão “calada”

Nunca se ganha nada sem perder
Arriscar pode levar à euforia.
Tanto perdi já por não querer ver
Até onde o amanhã me levaria

Haverá maior sofrimento do que a dor
Haverá maior desgosto do que tenho
Haverá coisa mais triste e sem tamanho
Do que viver a vida inteira sem amor

E as perguntas que nunca faço
E tudo aquilo que nunca digo
Se falo demais eu me desgraço
O que não disser fica comigo

Um risco, esta aventura de viver
Será maior a dor de perder
Ou a dor de nunca saber
o que poderia vir a ser?!?

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Aquela caixa azul....




Aquela caixa azul
onde guardo velhas memórias
de um tempo que nunca foi meu
cartas, papéis, a minha história

Aquela caixa azul
Tão cheia de nada
Que foi por tempo demais
minha única morada

Aquela caixa azul
Que abro hoje a medo
Que esconde um amor
Que vivi em segredo

Aquela caixa azul
Que me impediu de viver
Que me prende
E não me deixa esquecer

Aquela caixa azul
Que terei que enterrar
Quando um dia quem sabe
Deixar de te amar

Aquela caixa……
que me prende ao passado,
de um simbolismo visceral
constantemente revisitado

Com ela não sou ninguém
Sem ela eu não sou nada
Vou enterrar essa caixa
Numa qualquer enseada

Vou deixar morrer essa dor
Eu vou mudar de morada
Sair daquela caixa azul
Onde vivo ancorada.

(sem data.... não me lembro quando)
(porque nem sempre a morte nos liberta....)

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Sabe tão bem....




Era um sorriso atrevido
Um olhar enigmático, fascinante
Um mistério cativo
Um ser perturbante

Era uma noite silenciosa
Um momento apaixonante
Os corpos suados
Os beijos escaldantes

Era um momento
Um usurpar os sentidos
Um corpo que se deseja
Sentimentos já esquecidos

Bebi de ti o meu desejo
Bebeste tu o teu também
Num nada que não faz mal
Um momento que nos faz bem

Não temas que te queira mais que hoje
Não temas que de mim não esperes nada
O meu coração é um vazio, uma pedra
Ele vive preso numa outra madrugada

sábado, 12 de maio de 2007

Quem sou Eu?



Era a impossibilidade de um impossível que adoro.
Uma história com um final ainda por escrever.
Um livro cheio de páginas em branco
Uma história que ninguém leria, que ninguém quer ler
Uma lágrima que desliza pela face de alguém que ama
Uma lágrima que nunca se esquece
Uma dor que ninguém suporta
Uma mágoa que nos emudece

Neste silêncio que ninguém cala
Nas palavras que não se ousam dizer
As memórias que ninguém esquece, nem quer esquecer
O perdão que não chega quando nada há a perdoar
O amor que não morre porque não se deixa matar
O amor de quem ama porque não se deixa de amar

A piedade, a misericórdia a clemência
A vida de mera existência
Sobreviver à dor depois do amor
Sobreviver ao amor depois da mágoa
Resistir, lutar, viver, amar

Nesta história de silêncio
Neste sobreviver atulhado
Como dizer o silêncio da cor?
Como descrever o pecado?

Nesta minha existência forçada
Como ler o que não se escreve?
Como calar a palavra?

Como derrotar os medos
Os fantasmas de um outro passado
De uma gente ausente que não se esqueceu
De uma dor presente que o passado nos ofereceu

Como dizer o que se cala?
Como? Se quem me magoa sou eu.
O que evitar? Do que fugir?
Quando nada do que tenho é meu.

(Algures em 2000)

Ao desconhecido....



Eu acredito que já não creio em nada
Que hoje a minha vida está vazia
Destituída de tudo o que me pertencia
Do sonho que um dia foi meu

Sobre os escombros dos meus sonhos
Apenas me restam as lágrimas
E hoje nem sei o que me fez desacreditar
Que um dia podia ser diferente

Eu que creio no mundo, hoje não creio em nada
Porque me perdi em algum lugar
Porque não me encontro onde deveria estar

Eu que sonhei acordada hoje nem sei sonhar
Eu que amei demais hoje não sei amar
Eu que tanto desejei desejar
Hoje desisti de te inventar
Mas ainda pergunto: onde estás?...
Onde será que te posso procurar?


14Fevereiro2006

O que guarda o meu silêncio



O que guarda o meu silêncio
Nem eu sei
No que penso quando apenas
O vazio me ocupa

Quando sonho alcançar o impossível
Para ter a certeza de nunca lá chegar
Porque ao desejar o inatingível
Eu sei que nunca irei concretizar

Quando começo o que nunca acabo
Vivo assim sem nunca terminar
Tudo o que foi começado

Se eu pudesse dizer tudo
O que nunca direi
Talvez entendessem
O que de mim nem eu sei
Maio2007

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Deixa Cair...


Deixa cair a máscara que te esconde
Nela és quem nunca foste
Deixa cair…
Essa mentira que te encobre
Não faças dela o teu rosto
Que um dia alguém descobre

Deixa cair a máscara que mente
Esse engano que te tolda o sentir
Essa pérfida fachada
Deixa cair …

Deixa cair a máscara da demência
Que ela já não te esconde é transparente
Haja fé, haja paciência
Para te ver cair a ti
Nessa tua inconsequência

Deixa cair a máscara da loucura
Dessa tua insensatez revisitada
Ninguém assim sabe quem tu és
Que tu com ela não és nada!

12Setembro2006