sexta-feira, 19 de março de 2010

Sobras de mim... pedaços de nós















Peças que já não se encaixam,
fragmentos de outro tempo,
de uma outra história,
que não a minha,
que não a nossa.

Sobras, restos de nós
que se perdem no tempo
Nunca fomos o que seremos
Nunca eu fui parte de nós

Excertos de uma melodia
que se silencia, cala.
Um passo de mágica que se desfaz
O fim de todo o encanto
numa história trágica
de agonia, dor e pranto.
São sobras de mim,
pedaços de nós.

Deixa a janela do sorriso aberta...










Deixa a janela do sorriso aberta
e deixa-me entrar…
Não te escondas na insensatez desta hora
Não deixes que o tempo passe e não o vivas
Se acreditas corre atrás
Se duvidas deixa-o quedar
que o tempo passa a correr
e o amor morre devagar

Deixa a janela do sorriso aberta
e não desistas
Não percas tempo, que é precioso
Não finjas o que não consegues concretizar
Não interessa o que fazem mas como o sentes

Deixa a janela do sorriso escancarada…
e sai desse marasmo
Não deixes que te derrubem
Não deixes de acreditar
Mesmo que nunca
o venhas a encontrar

sábado, 13 de março de 2010

Choro...

Sou um mistério
para mim e para os outros,
Sou capaz de chorar
com a mesma intensidade
com que esboço um sorriso.
Sou capaz de ambos pelo mesmo motivo.

Choro…
por tudo e por nada.
Porque estou feliz
e quando estou triste.
Comovo-me com um rosto na rua,
com o abraço de um amigo.
Quando vejo alguém triste,
quando vejo pessoas felizes

Choro…
às vezes sem saber porquê.
Choro como quem lava a alma,
que sem lágrimas quase apodrece.
Exorcizo as dores, os lamentos
e choro às vezes porque sou feliz.

Choro de saudade nem sei bem de quê
e choro por mim tantas vezes,
vezes demais até.

sexta-feira, 5 de março de 2010

O meu Desejo

Desperto lentamente

com o teu beijo…
Num devaneio silencioso
apago a luz e adormeço
embebida no teu perfume

Sonho com a tua pele,
a maciez doce das tuas mãos
no meu corpo, pelo meu corpo.
E quase ensandeço
a pensar em ti…
É devaneio
desejar-te assim
É paixão que entorpece
que se apodera de mim
e me enlouquece

Morre lentamente, pela manhã
apertado em minhas mãos,
ausentes do teu corpo,
o meu desejo mudo e louco.

Cansei-me!

Cansei-me de tentar entender o que se precipita sobre mim, os sentimentos contraditórios, as razões irracionais, as ausências e as saudades.

Cansei-me, simplesmente cansei-me. Apetece-me gritar: desisto, de tentar compreender as minhas e as razões dos outros, como se razão pudesse haver para certas coisas.

É oblíquo o caminho que percorro dentro de mim, é transversal ao que acredito, ao que sonho, ao que creio. Não me perguntem porquê, cansei-me também de responder a essa questão, porque vezes há em que não existe razão nem motivo, apenas só o querer e a vontade e esses não se explicam. Posso até tentar mas nas palavras não encontro explicação e o sentir não esvoaça de mim para que o entendam. Não encontro as palavras, porque essas ainda não existem para tal descrição…

Cansei-me, hoje é essa a minha única razão!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Visto do céu...

Visto de céu …
parece pequeno quase inexistente
Visto do céu, ninguém o vê,
ninguém o sente…
E brilha mais que o sol
E queima bem mais que o fogo
Mas visto do céu parece tão pequeno.
Parece que nada é, e pouco significa
Mas é tudo, bem mais que qualquer riqueza,
mais que um sorriso porque me dá milhentos.

Visto do céu nem alegria nem tristeza,
parece significante…
Porque visto do céu tudo se esquece
Visto do céu…
nem se avista…
E aqui e agora a gente sente,
sabe que existe realmente
Mas visto do céu…
Nem dor, nem pecado
Visto do céu apenas vejo
a minha pequenez
num sonho inacabado.

Como estás?

Preocupa-me o teu olhar perdido na parede branca
Preocupa-me quando te perdes no infinito e não regressas,
quando vais e vens em momentos de lucidez,
tão solene e dissipada…
Preocupa-me o abraço distante o beijo ausente,
a tristeza estampada a preto e branco no teu rosto.

Preocupa-me a tua aparência feliz,
a falsidade lânguida com que te vestes.
És feliz?
Não respondas, não digas nada...
porque o teu olhar tudo diz.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Cantarei...

Cantei-te... na harmonia doce da canção
Valerá a pena caminhar onde não há horizonte?
Parece até que o céu e a terra mudaram de lugar.
Tenho o meu mundo do avesso,
virado de pernas para o ar,
num caos que já não controlo.

Cantei-te ... numa melodia silenciosa
Dancei uma dança sem gestos, imóvel.
Acredito, quero acreditar
que amanhã ainda terei forças
para continuar cantando
e entoar esta mesma melodia.
Sair pela vida dançando
a doce melodia que hoje canto.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Apetece-me.... uma e outra vez

Apetece esconder-me,
deixar passar a vida e não viver.
É mais fácil parar que andar para a frente.
Não quero sofrer, nem perder-te,
perfiro deixar-te ou fugir.

Apetece-me desaparecer,
apenas me falta a coragem.
Sou feliz, mas já fui mais.
Quero acreditar, mas só duvido,
e eu não sei viver a duvidar.

Apetece-me fugir...
não ser quem sou,
não ser ninguém.
Tenho no peito uma enorme dor,
uma mágoa que guardo,
uma ferida ainda aberta,
que não confesso.
Tenho um sabor amargo na boca
e no peito nenhuma certeza.
Preciso, preciso ouvir-te dizer...
o que pedes que adivinhe.

Cresceu...

Cresceu com a impaciência própria dos anos
Fez-se mais que tudo em menos de nada
Arrastou consigo a  vida inteira
Envolto em melodias que criávamos
Eram as letras e as canções
que num vai e vem desencontrado
guardavam os segredos mais fatais

Cresceu na magnificiência dos imortais
suspenso num boquet de cheiros
numa palete de cores naturais
o mar, a serra, os meus lençois...
A doçura inebriante dos teus lábios
o toque da maciez da tua pele.

Cresceu preso num olhar e na memória
Fez parte de mim, de ti
e da nossa história...
Ficam as canções para recordar
e a memória para que nunca possa esquecer...
Cresceu... e um dia decediu morrer.